Tenho uma amiga que é a campeã absoluta de foras, tocos ou como queira chamar o momento em que um homem te deixa na mão. Dessa vez, o telefone tocou e a voz eufórica não me permitiu dizer alô:
” Você não vai acreditar! Sabe aquele cara bonitão, presidente da ONG Tudo Pelo Impossível?
“Sei.”
“Tá arrastando a maior asa prá mim.”
“Puxa, é mesmo?”
“É. Marcamos um encontro hoje naquele hotel chiquérrimo aqui em São Paulo. Ele mora em Curitiba, lembra?”

Fiz que sim. Mais tarde, ela ligou novamente: “Estou aqui  preparando a banheira, montei um clima super-romântico, velas, flores, talvez abra um vinho para relaxar”.
“Ai, que inveja! Bom, me conta amanhã como foi. Boa sorte. Uhu!”
Meia hora depois, ela de novo no telefone: “Ele está atrasado, mandou um torpedo avisando.”
“Tudo bem, mas vem vindo, não é?”
“Claro! Estou te ligando de pura ansiedade. Abri o vinho, vou colocar sais na banheira, quando ele chegar estarei na espuma perfumada.”
“Delícia, amiga. Super sensual. Boa sorte aí.”
Mais meia hora e é ela: “Ái, desculpe chamar novamente, mas estou achando estranha a demora. Vou abrir outra garrafa para enganar o tempo. E talvez eu saia um pouco da água porque já estou toda enrugada.”
“Faça isso, querida. Se embrulha num roupão, também fica sexy. Falamos amanhã. Aproveite.”
Duas horas depois o telefone me acorda. E´ ela: “Marina”, diz com a voz já meio pastosa, “ele não apareceu nem atende o celular. Eu tinha esperança de que o avião tivesse caído, mas nada. Está vivo e forte em algum outro lugar. Vou ter que pagar a conta e sair amanhã cedo. Mais uma vez.”