Era aniversário do Helio, meu marido. Comprei vários presentes e à noite, a caminho de casa, parei no posto para colocar gasolina no carro. O frentista perguntou se eu queria ver o óleo e me lembrei das inúmeras vezes que ele me pede, sem sucesso, para fazer isso: “Sim, cheque o óleo”, respondi. O rapaz veio com aquele longo palito de metal que e´enfiado, como um termometro, no motor e anunciou que o óleo estava sujo, que seria bom fazer a troca.
Estava cansada e sem paciência, eram quase oito da noite, mas pensei: “Este, sim, é o presente” e concordei. Como, graças a Deus, nunca fiz uma troca de óleo na vida, achei que seriam cinco minutos, sem sair do carro. O frentista, agora acompanhado de um colega, informou que o serviço levaria cerca de 20 minutos, e que eu deveria esperar do lado de fora. Vi quando subiram o carro numa estrutura alta e começaram a operação. Sentada numa banqueta num canto do posto, tirei o celular e fiz fotos para documentar a aventura.
A certa altura, a dupla recomendou que trocássemos também o filtro. Sacudiram a peça no ar como se estivesse num estado inaceitável. Topei. “Vamos fazer isso direito. O Helio vai ficar muito feliz”, pensei. E quarenta minutos mais tarde, segui para casa, morta de fome, com a sensação de missão cumprida.
Quando ele chegou, foi aquela alegria! Fomos entregando os presentes que ele abria e, bem treinado, elogiava um a um. “E agora, o melhor de todos!”, anunciei. “Fiz a troca de óleo no carro!” O rosto dele se distorceu como se tivesse sentindo uma dor insuportável. Era uma expressão de horror. “Você está brincando, não é? Você não fez isso…” E eu sem entender: “Claro que fiz! Não foi o que você pediu?” Ele berrava: “Burra! Eu não acredito! Você não sabe que não se troca o óleo de carro novo? Não tem nem 5 mil quilômetros rodados! Agora perdemos a garantia!”
E as meninas riam muito, o que piorou a situação. “Mas você disse…”, tentei justificar. “Eu falei CHECAR o óleo! Em que posto foi isso? Eu vou matar esses idiotas!” Fiquei completamente desapontada. Emburrei, fui para o quarto, apaguei a luz e dormi. Ele jantou sozinho. No dia seguinte, pediu desculpas porque tinha ficado nervoso com uma coisa que, afinal, não era tão importante. E me tirou o carro novo.