“Não acredito que esse cara está lá dando palpite também no conserto do portão automático! Ele está em todas!”, comentei encantada com a polivalência do zelador do meu prédio, um mulato forte, descabelado e suado, de macacão cinza.
“Impressionante, tem homem que entende absolutamente de tudo”, observou minha filha Manuela do alto dos seus 22 anos.
“Você tem que se casar com um desses”, provoquei.
Ela fez que levava a sério: “Eles não são homens fáceis da gente se aproximar. São seres solitários. Estão mais interessados na estrutura hidráulica de uma casa do que nas relações pessoais.”
“Uma pena”, falei.
“É”, encerrou.