Entrei no táxi com o buquê de rosas que ganhei de uma amiga. Impressionante como chama a atenção! Nos poucos quarteirões que caminhei com as flores na mão fui ostensivamente observada por homens e mulheres, ouvi galanteios e comentários simpáticos. E não foi a primeira vez. Vivi uma experiência parecida recentemente quando comprei flores para uma amiga e fui andando com elas nos braços até o escritório. Ninguém passa impunemente por um belo buquê de flores ― e essas, modéstia à parte, eram lindíssimas. Mulher tem que saber escolher duas coisas: brincos e flores. Minhas filhas foram educadas dentro desse preceito. Pergunta se falta namorado lá em casa.
O taxista virou meio corpo para trás e comentou o óbvio, sorrindo: “Ganhou frores!”
“Não é a melhor coisa do mundo?”, respondi.
“Melhor coisa do mundo é o que acontece quando a gente dá fror pra mulher”, falou.
Fechei a cara para não dar corda ao que pensei que seria uma conversa inapropriada. Mas ele não estava se referindo à retribuição carnal que a minha mente suja já imaginava.
“Todo ano, no Dia dos Namorado, eu dô fror pra minha esposa. E ela cuida nos vasinho. A gente namorô um ano, e no 12 de junho fiquemo noivo de aliança. Seis meses despoi casemo. Namorá era muito sacrificado. Eu trabaiava de dia, e à noite tinha que pegá duas hora de condução. Se perdesse o ônibus era mais de três hora esperando. Eu, cansado que só, pensava: “Hoje fico em casa”. Mas a saudade apertava, eu ia. Num tava aguentando mais. Perguntei se ela queria casá: “Craro que quero”. Então tira a medida do seu dedo já, que adiá pra frente eu num vô. No 31 de dezembro nós casemo. E foi um descanso. Concrusão: despoi que casemo a sogra veio morá perto. Não tinha precisão de casá.”