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Uma Luisa pela outra

Posted on 26 outubro, 2012

Pouco depois que a Luisa, minha filha, nasceu em Nova York, nós viemos ao Brasil para que os avós conhecessem a neta. Luiza Erundina acabava de ser eleita prefeita de São Paulo e morava na mesma ruazinha, de apenas dois quarteirões, que meus pais, perto da Vila Mariana. Meu doce compadre, padrinho dela e diretor de um grande jornal, comprou uma boneca e aproveitou a carona de um dos motoboys que iria até a casa da nova prefeita, para mandar o presente. Mais tarde, numa conversa, contei que não recebemos boneca alguma. Ele, então, foi investigar. Aconteceu que o motoboy errou de Luisa e entregou o presente na portaria do prédio da prefeita. Seguindo o protocolo, os seguranças abriram a caixa e achando o conteúdo suspeito, destruíram o brinquedo atrás de uma bomba ou coisa que o valha. Fiquei chateada. A Erundina podia não gostar de brincar de boneca, mas a turma não precisava levar isso tão a sério.

Straight talk

Posted on 21 outubro, 2012

O taxista veio falando ininterruptamente sobre o filho que ele, na qualidade de “técnico informal”, está treinando para ser goleiro.
“Filho, você tem problema de auto-estima, não pega menina, vai mal na escola, tem que jogar bola.”
” Mas pai, eu jogo mal.”
” Então vai pro gol que é uma posição que ninguém quer e onde você terá pouca concorrência.”
” E faz o mesmo com as meninas por enquanto. Pega as menos bonitas.”
Disso, passou para outra sem claquete: “Estou aprendendo inglês prá carregar gringo na Copa.”
Eu com a cabeça baixa fazendo que mexia no celular: ” Boa idéia.”
” Do you speaky Englishy?”, ele pergunta.
Ái, meu Deus, vai começar: ” Yes, sir, I do.”
” I amy learning Englishy very fasty,” ele segue.
” Congratulations! Good for you,” respondo num ingles lento e bem pronunciado para ele entender.
A conversa segue no nível 1 do curso até a porta de casa onde ele encerra dizendo, agora em português, que, na verdade, está prestando um serviço ao falar inglês com os passageiros porque ” mesmo a senhora que sabe, a gente percebe que tá meio enferrujada” e se despede com um  “goody nighty.”