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Machos

Posted on 28 fevereiro, 2013

Motorista da Globo há muitos anos, o Ze´, que passou a Leleco pós novela Avenida Brasil, achou de filosofar sobre as dificuldades das relações afetivas e caprichando no sotaque zona norte, definiu :”Se deu ruim, cai fora. Nenhum casamento é insubstituível”. Para ilustrar o raciocínio, lembrou uma matéria feita pela televisão há alguns anos sobre a crise de relacionamento de um gorila.
Montou-se uma grande caravana romântica, veículos com profissionais de TV,  ele `a direção de um deles, um veterinário inglês e um caminhão com duas gorilas importadas da Inglaterra, venceram 300 e tantos quilômetros para o acasalamento arranjado das fêmeas com um  resistente macho brasileiro. Um blind date em que as três partes estavam no escuro.
Os carros saíram do aeroporto do Galeão e seguiram em cortejo até o zoológico de Belo Horizonte onde um gigante de quase 2 metros, cerca de 200 quilos, solteiro convicto, aguardava a visita ao lado da única mulher  que conseguiu conquistá-lo, talvez pelo estômago, a sua cuidadora: “Ali tinha”.
Segundo Leleco, a importação das fêmeas foi necessária porque o gorila se recusava a cruzar com as macacas mineiras, que não eram da sua raça: “O cara nunca aceitou as macacas que tentaram empurrar prá ele. Não eram o tipo dele.”
Diante das câmeras curiosas e estressadas com a viagem, as gorilas anglo-saxônicas levaram algum tempo para demonstrar interesse pelo pretendente. Ficavam ali, uma tirando piolho da outra, checando as unhas e controlando a evolução dos fatos. Aquele antigo e já fora de uso truque feminino de olhar com o rabo do olho e fazer que não quer o que mais está querendo.
“De início, o macho também se manteve distante, bolado com o lance, mas dali a pouco já estava cheio de intimidade. Elas eram safadas. Quando nada, a mais abusada já estava sentando no colo dele”. E concluiu com uma ponta de orgulho: ” Tenho prá mim que ele ficou logo com as duas”.

Muito fina

Posted on 28 fevereiro, 2013

A gente cria a menina vestida de cor de rosa. Paga escolas caras, aula de ballet, piano, inglês, espanhol. Apresenta a melhor literatura, a melhor musica, os melhores museus. Controla as amizades. Espia o fb prá saber com quem fala. Fica estacionada na porta das festas prá ver quem entra e quem sai. Luta prá ela ser a queridinha dos avós.
E aí a gente se muda pro Rio, vamos `a praia e na primeira onda enorme que aparece, a princesa grita prá praia inteira ouvir: Fodeu, mãe!

Inteligencia emocional

Posted on 27 fevereiro, 2013

A mãozinha dela se desprendeu da minha e a multidão a enguliu. Não me dei conta na hora, foi só quando parei de tagarelar e olhei para baixo é que percebi que faltava a Luisa. O show infantil, bonecos enormes dançando sobre patins, havia terminado e o público que lotou o gigantesco ginásio de New Jersey lentamente começava a deixar o local. Acompanhávamos o movimento, eu e minhas filhas pequenas, uma amiga e os meninos dela e o Paulinho, jovem, solteiro e a essa altura provavelmente arrependido de ter se oferecido para nos levar de Nova York até lá. Era um daqueles sábados gelados do inverno americano em que a gente fica sem saber se morre de tédio em casa ou faz um programa suicida como esse. Vestimos nossos casacos e as roupas de astronauta nas crianças e partimos para a segunda opção, o programa de índio. Foi na saída que ela se desprendeu de mim e, porque carregávamos casacos, cachecóis, gorros, balões, pirulitos, hot dogs, não percebi de pronto. O choque veio rápido. Meu coração disparou, mergulhei numa onda de terror e fiquei imediatamente burra, irracional. Saí aos berros correndo pelos banheiros abrindo dezenas de portas, no contra-fluxo me batendo contra a multidão, inutilmente querendo chamar a atenção para que ela me visse. Tive muito medo do medo dela. Enquanto eu gritava e corria histericamente, o Paulinho, calmo, jovem e solteiro, ofereceu-se de novo para ajudar. Sumiu e voltou minutos depois trazendo-a sossegadamente pela mão. E explicou a estratégia: acompanhou a massa que caminhava em direção à saída procurando mulheres com casacos parecidos com o meu. E não é que ela estava mesmo distraída seguindo bem de pertinho outra “mãe” de casaco vermelho?

O jardineiro

Posted on 17 fevereiro, 2013

 

 

Na casa da Ilhabela.

– Zé, as plantas estão lindas!
– E´, mas as custas de muita luta.
– Como assim?
– Tinha um grilo, tipo dum gafanhoto, que estava comendo tudo, ói só prá ver esse ramo aqui.
Ele vinha, sentava e ia mandando prá dentro.
– Mentira! Comia sentado?
– Sim, fazia desse jeitinho, o´, com as mãozinhas. Folgado prá caramba.
– E você deu um fim nele?
– Só de raiva, peguei ele pelo pescoço e arranquei a cabeça fora! O corpinho ficou pulando. Depois as formigas fizeram a festa!
– Ái, coitado, Zé. E era um só?
– Não, mas os outros entenderam o recado.