O menino anda pelo condomínio de predios como o outro entre as mangueiras da fazenda. O mundo inteiro ali. Vai entretido matando curiosidades vivas, explorando os cantos de cimento, canos, elevadores, pátios, atrás dos funcionários uniformizados em suas tarefas cotidianas. Está na portaria central tentando participar da montagem da enorme arvore de Natal. Os homens sem paciência, querendo ver-se livres do serviço cheio de delicadezas, o menino entre as bolinhas coloridas perguntando como vão chegar ao topo para colocar a estrela, por que as luzes piscam. O mais velho responde. Salta de uma guarita para a outra, acompanha o painel com imagens, quer saber como os seguranças memorizam tantas placas e por que não têm armas para se defender de motoristas maus. Esconde-se quando passa a mãe que o proibiu de estar ali com conversa fiada. Os guardas não dão atenção. No sol quente, estende-se na beira da piscina para observar o empregado que limpa os azulejos, metade do corpo para dentro. Quer ajudar. Repete o movimento do piscineiro soltando as perninhas no ar. Pede. Insiste. Desiste. Então vamos nadar juntos quando você terminar?