A Milene, que trabalha em casa, queixou-se ao receber uma correspondência: Pense num nome feio! Eu disse que deixasse de lado, ela virou os olhos desanimada. Naquele dia a história estava pesando. Nascida Milene, no cartório de Maceió o pai atrapalhou-se e grafou Nirglene. Como Milene era o nome que lhe pertencia, foi chamada assim pela família e amigos, só ressuscitando a Nirglene na hora da assinatura. Mais velha ainda tentou mudar o registro, mas não teve dinheiro para isso. Na época, o cartório cobrava caro, cerca de R$ 40 por letra, era muita letra e ela desistiu. Seguiu seu destino carregando a dupla identidade. Enganando-se sem iludir-se ou perdoar, ái, meu pai!

Quando mudou-se para São Paulo, achou que o anonimato poderia conceder-lhe vida nova e adotou informalmente o Milene sem olhar para trás. Assim foi até que o filho adolescente, desconhecendo seu conflito existencial, resolveu homenageá-la com uma tatuagem no braço onde escreveu em letras reforçadas: MÃE NIRGLENE e encerrou definitivamente a questão.