Estava grávida, mas não posso culpar meu estado interessante pelo deslize. Já havia acontecido antes e aconteceria depois. Cumprimentamo-nos com um aceno através dos caixas do supermercado, outros consumidores entre nós. Não me lembrava exatamente de onde eu o conhecia. A sensação era de muita familiaridade, sem ser família, claro, porque fui educada com disciplina, nunca me enganaria com um parente. Já seguia com as sacolas e o barrigão em direção ao carro, quando ele me alcançou e se ofereceu para ajudar. Entreguei tudo imediatamente pensando nas varizes e perguntei se ele estava de carro. Disse que veio caminhando. Aceitou a carona e fomos conversando sobre qualquer coisa bem supérflua como o tempo ou os preços para evitar algum constrangimento. No caminho, cheguei à conclusão de que ele morava no meu prédio. Sim, era isso!
Fui embicando o carro na garagem e ele, então, pediu licença para descer antes de entrarmos. Agradeceu e seguiu pela calçada. No dia seguinte, comprando frios na padaria, reconheci por trás do avental e da redinha na cabeça, o meu carona. Sorriu: só isso hoje?