A garçonete veio loirinha e sorrindente até a mesa, estendeu os cardápios e falou qualquer coisa muito baixo que não entendemos. Sorrimos de volta e agradecemos. Saiu. Voltou com pãezinhos quentes e perguntou algo inaudível. Concluímos que queria saber o que comeríamos. Dissemos o que havíamos escolhido e ela anotou prontamente. Repetiu os pratos lendo quase para ela mesma e quando terminou, respondemos alto, sim! sim! é isso! invertendo instintivamente a situação, como se ela é que não nos escutasse. Mostrou a carta de vinhos, apontando um ou outro e seguiu comentando as marcas num tom de voz tão baixo que tínhamos que esticar a cabeça e prestar muita atenção nos movimentos dos seus lábios para acompanhar. Concordamos com a sugestão dela mais para terminar com o desconforto do que pela qualidade ou o preço do vinho. Adiante, voltou à mesa perguntando num sussurro se estava tudo certo. Respondemos positivamente com um gesto.

Por algum tempo, cada um de nós achou que estivesse ficando surdo e foi um alívio geral quando confessei que não entendi uma só palavra do que ela disse. Graças a Deus, disse a amiga, achei que era só eu! No final da noite, ela ainda tentou explicar sem emitir praticamente nenhum som, uma sobremesa flambada, especialidade do chef. Pedimos café e a conta. Excesso de educação pode ser um problema.