Minha mãe reportando as dificuldades familiares em Guaxupé. A prima está aflita com a teimosia do irmão que tem glaucoma e está praticamente cego. Não aceita bengala, nem cachorro, nem braço de ninguém para andar na rua. Pior, ainda outro dia, chamaram a prima para ajudar a fazer um doce e ela não queria arredar pé de casa esperando ele voltar da fazenda para onde tinha ido dirigindo a caminhonete. Agora resolveu se separar da mulher. E a prima: “E cego pode ter esse enjoamento?”

A tia ficou viúva e a gente se preocupando com ela sozinha depois de tantos anos casada: “Não me parece infeliz”, alfineta minha mãe, “a casa, por exemplo, está toda enfeitada com luzinhas de Natal”.
A prima volta do banco encharcada de chuva. Minha mãe pergunta se não levou a sombrinha e ela diz que esqueceu.
-“E porque não correu quando a chuva caiu?”
-“Eu, uma mulher casada, correndo na rua?”

Minha mãe vai visitar a prima, não a encontra em casa e decide roubar um bom maço da erva cidreira com ares da Provence plantada no jardim. Chega em casa, faz um chá e toma uma xícara com meu pai: “Uma pena me desencontrar dela”. Dias depois, dá com a prima na rua e comenta o furto já adiantando que tinha gostado demais do chá. A prima esclarece já não mora naquela casa e que minha mãe não só tinha invadido a propriedade alheia como arrancado um maço de citronela, plantada há muito para o remédio de espantar mosquito, e não erva cidreira como ela pensava.