Sou da geração pré YouTube. Este é um pensamento que me reconforta cada vez que me lembro do que já fiz quando era repórter e apresentadora de televisão. Entre outros desastres como trocar nomes de entrevistados, entrar no ar com rolinhos no cabelo e ter ataque de riso até chorar, certa vez, na bancada do Jornal da Noite, na TV Cultura, chamando uma matéria sobre o aniversário da Estátua da Liberdade consegui, num défict momentâneo de atenção, dizer que Mikhail Gorbachov havia dançado na festa em homenagem à Independência dos Estados Unidos quando deveria ter dito Mikhail Baryshnikov, claro. Pouca gente notou, a associação ao bailarino é imediata e a audiência daquele jornal, aqui entre nós, era pouco mais do que um traço. Mas até hoje sinto o friozinho na barriga do momento em que me dei conta do acontecido e já era tarde para consertar. Foi a conta de dizer: “Uma boa noite”.