Como muitos homens nessa função, o pai levava a sério a construção do castelo de areia. Enquanto as crianças observavam em silencio, às vezes distraídas pelo vai e vem das ondas, ele concentrava–se na escavação de um enorme buraco. A areia que saía dali terminava assentada numa estrutura delicada provida de muralhas, terraços, torres e até um fosso que circundava tudo. Nem o sol do meio-dia desanimou o arquiteto operário. Ajoelhado, trabalhava obstinado com as duas mãos, talvez premido pelo horário de almoço das crianças ou desafiado pelos olhares dos banhistas que paravam admirados com a sua movimentação. Estava quase terminada a obra, ele cuidava agora de reforçar uma ou outra parede, quando surgiu o vira-lata branco e caramelo, rabo longo e olhos vivos que, com a displicência natural dos vira-latas e para absoluto encanto dos meninos, levantou a perna e num jorro forte destruiu boa parte do castelo, enchendo o fosso de xixi.