O ônibus saiu quase vazio de Guaxupé rumo a São Paulo. Em pouco tempo, o de praxe:
-Comadre, vem sentar aqui na frente.
-Ai, não vou, não. Já me arranjei aqui no fundo com as sacola.
-E esse ano que não vira. Virasse, tava melhor.
– E então.
– A Marlene ficou lá cuidando dos cachorro? Tá bebendo muito ainda ela?
-Toma aquele, como se chama?
– O Domeck.
-Então. Mas dá conta do serviço de casa, traz sempre limpinha, arruma a comida, as criança sempre arranjadinha. E faz tudo até às três. Deixa até a janta pronta. Aí, começa beber e vai até a novela.
-Tá certa ela. O Jaldair sempre bebeu. Dormia agarrado na cachaça. Ela dizia, escolhe, Jaldair, é ela ou eu. Ele escolheu a cachaça. Então, a Marlene saiu do quarto. Dorme no sossego dela na sala. Nem tem que aguentar as graça dele de noite. Ficou tudo bem arranjadinho, lençol de cima, cobre leito e tudo.
-Jaldair é trabalhador demais. Se acaba lá no terreno do Waldir, todo mundo sabe. Aí bebe e chega em casa que não se aguenta, falando besteira. Ela deu com o cabo da vassoura nele outro dia. Aí, ele maldou se ela agora trabalha na polícia. Vai vendo. Aí, ela disse que se fosse polícia tinha já jogado ele no mato, ponhado a bebida nele todo e tocado fogo.
– Cachaceiro.
– Então.