Adoro boxe. Quando morava em Nova York, fui diversas vezes assistir Mike Tyson, Sugar Ray Leonard, George Foreman, Evander Holyfield e outros nem tão famosos em embates memoráveis no Madison Square Garden. Era sangue e suor para todo lado e algumas vezes voavam cadeiras também. Encarei a breguice de Atlantic City e Las Vegas atrás de uma boa luta. Infelizmente, conheci Muhammad Ali, com quem sonhava todas as noites depois das lutas, já de terno e gravata, sem nenhuma chance de voltar ao ringue. Eu tremia mais do que ele que já sofria de parkinson na época. Fiz uma declaração de amor desavergonhada, falei da sua ginga, da atitude provocadora e da coragem que eu admirava e ganhei seu coração desenhado num pedaço de papel. O mesmo que, mais tarde, Tom Jobim também usou para rabiscar um elogio bêbado aos meus talento vocais. Assim, tenho em casa emoldurados os autógrafos sobrepostos de dois grandes homens numa história cuja única testemunha viva sou eu. mohammad_ali