A sirene da moto do policial, um oriental rechonchudo de jaqueta de couro, chamou nossa atenção. Ao lado da nossa janela, ele gesticulava indicando que parássemos no acostamento da Marginal Pinheiros. Paramos. Mal tirou o capacete e foi anunciando que minha mãe, ao volante do fusca, estava abaixo da velocidade permitida naquela via expressa. Pode multar, eu não passo da segunda marcha, ela sentenciou. Mais alguém tem carteira de motorista nesse carro? Ela tem, minha mãe respondeu apontando para mim, mas não vou deixá-la dirigir. Bem, então, terei que escoltá-los até a próxima saída e depois a senhora segue por dentro. E assim, precursores de uma lei que viria anos depois, seguimos, minha mãe, os quatro filhos e o batedor da CET, a 30 quilômetros por hora na Marginal.