Passo pela avenida e reconheço na longa linha estendida, os meus livros doados. Dicionários, romances repetidos, publicações que já cumpriram a sua tarefa entre nós. Lado a lado na calçada, brilham no sol que nunca mais tinham visto, exibem-se em frente e verso, ganham a atenção há muito perdida. De vez em quando, um deles sobe pelas mãos do transeunte, faz charme, é acarinhado, cheirado, analisado. Fico espiando de longe, feito pai de menina, num misto de ciúme e orgulho, vendo ganhar o mundo o que você tinha certeza que era seu e que nunca foi.