Me contou que a avó sofria de epilepsia, teve uma convulsão, caiu no tacho de goiabada quente e morreu. Fiquei encantada com a força daquele episódio. Fiz repetir várias vezes e a cada uma delas eu via mais de perto. Aquela avó já era a minha, o doce eu tinha comido com os primos na fazenda. O fogão era de lenha, o tacho de cobre, a colher de pau. O velório no casarão aconteceu com o caixão fechado escondendo o rosto queimado, untado de doce, o cabelo cor de rosa colado num coque.
Escrevi a história assim mesmo, imaginando os detalhes que ele nem tinha, sem colorir muito porque o fato em si era dramático o suficiente.
Agora vem dizer que não sabe se aconteceu de verdade ou se inventou. Desculpe, fui longe demais com isso para devolver. Emprestei nome, corpo, cheiro, dor e medo. Assinei. E como diria minha mãe, esparramei pela internet.