Eu achava que a história estava escondida atrás do que via. Depois, entendi que na maior parte das vezes, o que se vê já é a historia inteira. O que toma tempo é contá-la sem omitir nenhum detalhe da imaginação. Segurar a fotografia e não soltá-la até descrever completamente o que se observou naquele momento. Mesmo o invisível. Sobretudo o incorpóreo. Passam-se dias, anos e ainda encontro alguma coisa que não estava lá na primeira vez. A roupa da mulher morta no varal. O desenho do louco amassado no lixo. O menino na missa com o tênis roubado do outro. Eu vi, mas porque me escapou o escondido, agora tão claro, não pude contá-lo. Um pecado do escritor. Perder a historia procurando o que não viu quando tudo acontece na frente dos seus olhos.