Dei com o louco na rua.
Fiz que ia e voltava algumas vezes, atraída pelo que dele escapava, uma força incontrolada, costurada na lona sobre o corpo, casulo em metamorfose.
Procurei a história, inventei um itinerário e terminei com ele ali, se perdendo dele mesmo num final infeliz.
Empunhou expressão sofrida, não tentou me aliviar, externou o drama.
Estava ocupado com o que não se via, cuidando do que não se percebia, ameaçado.
O cadarço solto no sapato. Pensei nas minhas amarras frágeis, nos meus disfarces mal acabados, meus discursos inconsistentes, na minha loucura domesticada. Tive medo.
Moço, me ajuda, o senhor ficou louco de dor ou a loucura é para enganar a sua dor?