Bebia com afinco, o Zé Raé. Trabalhava na roça, apanhar café, tocar o gado, alimentar os porcos, essas coisas. Sumia por dias, às vezes. Quando voltava da bebedeira, lanhado, amassado, sujo, botava a culpa nas almas de outro mundo, que o perseguiam por crimes não cometidos. Imagine que noite dessas, eu atravessava a pinguela lá embaixo e comecei a levar tapa, chute, soco de todo lado. Coisa do espírito do meu tio Tonin. Pelo doído eu sabia, ele bate assim, ó, com a mão virada. Rasgou minha roupa, rancou butão e tudo. Gritei : ô tio, é o teu sobrinho Zé Raé! Só aí ele parou: perdoa, Zé, não te reconheci! E me deixou passar. Tenho que me benzer.