Quando viemos de Nova York depois de dez anos, achei que seria bom fazer uma avaliação do estado emocional das crianças, abaladas com a mudança para o Brasil e, sobretudo, com a separação dos pais. Contamos, em momentos separados, com a ajuda de dois terapeutas, “a Otávia” e “o Patrício”. Tava na cara que não daria certo.

Numa conversa na mesa, Manuela contou que uma colega estava tirando notas baixas e que a professora explicou que os pais da menina estavam se separando. “Eu mudei de país, de escola, de casa, meus pais se separaram, minha mãe se casou novamente e já vou ter um irmãozinho e nem por isso eu vou mal na escola!”

Aparentemente, elas lidavam com naturalidade com a questão dos meus casamentos. Uma ocasião, havia um grupo de crianças tomando lanche em casa e eu gritei da cozinha: “Nego, que horas são?”
“Quem é Nego?”, perguntou uma menininha.
“É assim que minha mãe chama os maridos dela”, respondeu uma das minhas.