Suando no carro blindado, ela desvencilhou-se do cinto e quis estender os beijos para movimentos mais ousados. Partiu para cima dele, jato de adrenalina, sem medo do que havia lá fora e do que a esperava ali dentro. Errou o giro e ficou presa no volante, o traseiro buzinando ininterruptamente. Passantes, que até aquele momento só viam o que não viam, os vidros embaçados, pararam tentando adivinhar. Em tempos de violência urbana, romance é a ultima alternativa. Ele ameçou vestir-se, querendo desenroscá-la, ligar o ar-condicionado, os braços curtos para qualquer tarefa. Ficaram naquela dança imóvel, besouros nadando no couro do banco, até que o suor azeitou os corpos e escorregaram, exaustos, mal amados, para a rua congestionada, o rush. A luz pontilhada dos faróis incidiu sobre os espelhos com ar de festa. No retrovisor, o cabelo colado à testa. Ele arrependeu-se da investida, lembrou-se das placas, era dia de rodízio.