Quando postei a foto do casal de noivos-caveira no Facebook com a legenda “O casamento morreu”, muita gente se apressou a desmentir a afirmação, sobretudo as mulheres, o que me pareceu uma tentativa desesperada e inútil de salvar a milenar instituição. Como se negar mil vezes a afirmativa fosse capaz de convencê-las e, especialmente aos homens, do contrário. A resposta rápida e incisiva das minhas colegas me assustou um pouco. O comentário era apenas uma brincadeira para não deixar passar em branco a oportunidade de mostrar o casalzinho de esqueletos, lembrança de uma viagem à Oaxaca no Dia de los Muertos.
Nunca fiz grandes análises sobre o casamento, talvez porque já desconfiasse de que o assunto não resistiria a uma acareação mais dura. Ao mesmo tempo, como desde que me casei pela primeira vez, e lá se vão alguns casamentos, nunca mais fiquei solteira, havia essa culpa mineira/católica de criticar uma coisa que me serviu tão bem até agora. Quando há muitos anos minha analista, uma mulher sábia e bem humorada, me absolveu de alguns questionamentos dizendo que hoje em dia seria ridículo exigir que os casamentos funcionem dentro das mesmas rígidas regras que os regem desde o seu nascimento (a fim de servir os interesses econômicos das religiões institucionalizadas), saí da sessão dando cambalhotas de alegria.
Não sei o que isso me permitiria fazer, mas aquela alforria para os meus sentimentos não muito nobres era suficiente para me colocar noutro patamar, lá em cima, junto dos meus amigos homens. Fora do âmbito familiar, eles expressavam suas insatisfações com os limites que o casamento impunha, e mais do que isso, entre eles, comentavam os prazeres de se vencer esses limites, no popular “pular a cerca”. A euforia durou pouco. Na realidade, não sei se por uma questão cultural ou hormonal, se é o medo das pedradas medievais ou o privilegio da maternidade, nós, mulheres, temos uma necessidade enorme de romance. É isso que nos quebra as pernas na pulada de cerca.

Ainda que se conquiste um pouco mais de liberdade a cada dia, a vontade de se dedicar de corpo e alma a um só homem (por vez) é maior do que a de se entregar a uma conquista passageira quase sempre despojada de romance. Conheço pouquíssimas mulheres livres nesse aspecto e mesmo essas, vez ou outra, acabam sonhando com flores no dia seguinte.