Se me resta alguma dignidade, devo ao Zeca Camargo. Há muitos anos, convidados para entregar um prêmio de jornalismo, subimos ao palco de um teatro, eu e ele, vestidos a rigor. A madeira do piso estava encerada e eu sobre um salto agulha altíssimo. A combinação perigosa lançou-me para cima no primeiro passo que dei em direção ao microfone. Levantei vôo e atravessaria o palco nesse rasante não fosse a agilidade e elegancia do Zeca que segurou-me no ar como num movimento ensaiado de balé e colocou-me de pé novamente. Desde então, ele está fora das malcriações e amaldiçoamentos do domingo à noite.