Em que momento a gente se perde da gente mesmo? Quando é que a gente, menino, deixa de observar a formiga carregando a folha e começa a olhar para os olhos de quem nos vê? Quando nasce o outro?
O outro que me autoriza, que me dá a medida, que me descreve para mim mesmo. O outro que é autor da minha historia. O outro que toma emprestada a minha alma. O outro que fala por mim, que é dono da minha voz. O outro que me aponta os defeitos com o dedo duro da delação. O outro que me define. O outro que me reflete no espelho alheio em que eu me miro. O outro que elejo para me representar na vida. O outro tão necessario para eu me sentir importante. O que me fez perder a formiga, a folha e a mim mesmo.