Peguei as palavras aleatoriamente, como pedrinhas no chão durante a caminhada, e as coloquei em linha formando uma frase bonita. Não dizia muita coisa, descrevia o óbvio, mas tinha musicalidade e me remetia a um lugar fora do alcance da vista. Achei que era ilusão de ótica. Reli friamente, sem exageros e, mais uma vez, meus olhos seguiram em frente, saltaram as palavras, atravessaram a frase e foram parar lá longe numa imagem viva e muito próxima de mim. Achei que podia ser poesia. Li em voz alta. Não desafinava. Troquei as pedras de lugar. Continuava bom. O coração acelerou. Então a poesia está em tudo! Basta catar as palavras pelo caminho, redondas, pontudas, pequenas, grandes e alinhá-las de forma que os olhos vejam mais do que está escrito ali.