Já faz muito tempo que a Milene, que trabalha aqui em casa, ganha flores na feira. Toda quarta ela volta carregando um buquê ou um vaso de uma espécie diferente. Diz ela que o “presenteador” não é da barraca de flores, mas da barraca vizinha, de frutas, e que deve ter um acerto com o colega, algum tipo de permuta. Cada semana, ele escolhe uma bem linda e faz a dedicatória : “orquídea para durar como o meu amor”, “girassol para aquecer a sua vida” e por aí vai. Ela deixa tudo aqui em casa para não ter problema na dela. Mulher séria que é, apenas agradece o galanteio e vem embora. E ái do rapaz que ajuda a carregar as compras se esboçar um sorriso de cumplicidade.
-Mas, Milene, tadinho, você nunca nem perguntou o nome dele?
-Tadinho nada. Mulher não pode ter pena de homem. Se fraquejar, acabam as flores e entra roupa prá lavar!