Estamos contentes porque conseguimos um bom lugar no trem de Berlin à pequena Calw, no sul da Alemanha, terra de Hermann Hesse. São dois sofás ao lado da janela e há uma mesa entre eles onde acomodamos um vinho, pretzels fresquinhos, uvas e maçãs. A viagem é muito verde e longa e tem diversas paradas. Numa delas, entra um grupo de sírios, homens, mulheres, bebês, crianças, malas, sacolas. Caminham até o meio do vagão olhando para os lados, atordoados, mudos. Só as crianças falam e os bebês choram. Um rapaz parece mais à vontade e orienta os outros a ocuparem os assentos vazios aqui e ali, mas eles não querem se separar e ficam amontoados de pé, com os bebês e a mudança nos braços. Saímos da mesinha, nós também carregando deselegantemente nossas coisas, comida, bebida e tal, e oferecemos os lugares que funcionariam bem para a turma. Em silencio, vão se ajeitando ali, o rapaz mais à vontade agradece num inglês quebrado e nos ajuda com as malas. Depois, vimos que ele levava as pessoas ao banheiro, ao restaurante para comprar o lanche. Sorria educado quando passava. Pedi à Deus por ele, para que cumpra seu papel com sucesso, para que seja a ponte entre seu mundo desmoronado e o novo mundo que precisa ser construído por todos nós.