Acaba a bateria do celular, minha filha não está na porta do clube como combinado, não encontro lugar para estacionar nem tempo para entrar e resgatar a adolescente folgada. Dou uma volta xingando no quarteirão mais engarrafado da cidade e vejo a saída óbvia: o orelhão! Paro o carro de qualquer jeito. Tento usar moedas. Não sei onde comprar um cartão. Já não consigo me relacionar com aquele que tantas vezes me salvou a vida. Sigo as instruções quase apagadas no aparelho e faço uma ligação a cobrar. Ouço a musiquinha que vem na contra-mão, agora sou eu e não ela pedindo socorro, e a ordem constrangedora de dizer meu nome e de onde estou falando. Faço malcriação: “É sua mãe e vou te matar.”
Ela desliga.