No auge de uma discussão, ela, vítima da tradicional perseguição familiar contra seus arroubos consumistas, decidiu topar a proposta do marido: “Te dou uma peça nova para cada quilo que você esvaziar do armário.” Otimista, armou-se de enormes sacos de lixo, entrou no closet e começou pelos sapatos. O critério era o peso, claro. Dois ou três pares de sandália de salto Anabela (de madeira), um par de botas de couro legítimo (mais pesado que o ecológico), um par de galochas (nem tem chovido tanto…). Os casacos de inverno foram saindo um a um, preferencialmente os mais longos, os coloridos e os de corte variado. Ficou um pretinho clássico.
Jeans, jeans, jeans, tudo pro saco. Camisetas promocionais que estavam guardadas para situações que, graças a Deus, não surgiram, como uma limpeza, uma caminhada solitária, uma mão de tinta num móvel. Lembrou-se de que o algodão puro é mais pesado do que o misturado e do que o 100% poliéster. Achou que nesse caso valia a pena manter menos peças e ficar no algodão, um luxo a que todo morador de país tropical deveria ter direito. De quantas pashminas eu preciso para me sentir charmosa no inverno? No final, encheu três sacos grandes. O marido e a filha pesaram um a um na balança do banheiro: deu 27, 31 e 22 , um total de 80 quilos. A partir de agora, ela tem carta branca para comprar 80 novos itens para o seu guarda-roupa. Sem ter que esconder as sacolas debaixo da cama!