Veio séria, ereta, lenço e avental escuros, máscara cobrindo o nariz e a boca, carregando a bandeja de café. A luz bateu no brinco balançando no ar e eu só esperei ela virar para confirmar a bunda grande numa bermuda de lycra justa. O contraste entre a fachada comportada e a traseira provocante aparentemente não chamou a atenção de ninguém e eu me senti um homem, no sentido mais masculino da palavra, porque só pensava naquilo. Na mulher gostosa e sensual mal escondida naquele uniforme, debochando de nós. Não de mim, que saquei logo a sua natureza. Tive vontade de ir atrás e dizer a ela que eu sabia de tudo, do ridículo daquele uniforme e a bandeja estendida. Queria ir até a cozinha dizer que eu adivinhava o seu peito decotado, o batom debaixo da máscara, o rabo da sereia.
Que eu era mais do que um homem. Que não me fizesse de tonta.