Show de Jorge Ben Jor em Nova York. Início dos anos 90. A emissora me pede uma matéria. Nosso produtor  acerta uma entrevista com o cantor no camarim após a apresentação. Assisto o show e me preparo para a conversa. A equipe aproxima-se da porta e pede ao segurança que  o avise . Minutos depois vem a resposta. Ele desistiu, não quer mais dar entrevista. Insisto quase chorando. O agente aparece, pede desculpas, diz que vai tentar convencê-lo. Volta com a negativa. Ele não está bem, enfrenta problemas pessoais, não quer ver ninguém. Fico desesperada, argumento que vou perder o emprego, que me comprometi a fazer a matéria para o programa de domingo, que daremos destaque, que a matéria vai encerrar o programa. O rapaz sensibiliza-se com a aflição da jovem repórter. Volta ao camarim e sai muito tempo depois dizendo que Ben Jor concordou, mas que eu me prepare porque ele está de mal humor, que devo ter jogo de cintura. Estou suando, entre aliviada e assustada. Entro. E entrevisto Jorge Ben Jor vestindo apenas uma diminuta cueca branca. Fechamos a câmera no rosto dele. Era isso ou nada. Foi isso.