A praia de Punta cheia de turistas estrangeiros. Com biquini de oncinha apertado no corpaço e forte sotaque gaúcho, a brasileira chamava a atenção não por uma coisa nem pela outra, mas pela performance exibida com o marido. 
Sentado numa cadeira, de sunga, ele conversava animadamente com outro homem enquanto ela fazia um aquecimento nas mãos, esfregando uma na outra, abrindo e fechando os dedos. Sacou, então, o protetor solar da bolsa e começou o serviço pelas costas dele, distribuindo o creme em ensaiados movimentos circulares que desciam pelas laterais até a cintura. Em seguida, posicionou-se de frente e partiu para o peito, a bunda de oncinha apontada para a cara do amigo, e seguiu trabalhando com as duas mãos tentando inserir o creme entre os pelos em profusão. Nesse momento, para júbilo da turma, ela abaixou-se, e, de joelhos, principiou a massagear o barrigão dele, circundando com delicadeza o umbigo profundo. Vez ou outra, o homem desviava a cabeça para que ela não atrapalhasse seu campo de visão e a conversa, o amigo também, talvez acostumado à pratica do casal, movia o corpo sincronicamente para o lado oposto ao dela. Sem levantar-se, ela reabasteceu as mãos de creme e o esparramou nas pernas cabeludas, anunciando em voz alta que já estava quase terminando e cobriu tudo ali, inclusive os pés, dos efeitos maléficos do sol. Levantou-se desequilibrada na areia, secou o suor, ajeitou o cabelo e, com as pontas dos dedos, tratou de manipular o rosto dele, o que visivelmente o irritou porque ela lhe tirou os óculos e demorou um pouco para recolocá-los. Depois, guardou o creme, deitou-se na canga e abriu uma revista. 
Eu quis ir até lá para dizer que estava envergonhada de ser brasileira ao lado de uma mulher como ela, que faz tudo o que fez e esquece completamente de passar protetor na careca do seu homem. Mas me deu preguiça.