Pouco depois que a Luisa, minha filha, nasceu em Nova York, nós viemos ao Brasil para que os avós conhecessem a neta. Luiza Erundina acabava de ser eleita prefeita de São Paulo e morava na mesma ruazinha, de apenas dois quarteirões, que meus pais, perto da Vila Mariana. Meu doce compadre, padrinho dela e diretor de um grande jornal, comprou uma boneca e aproveitou a carona de um dos motoboys que iria até a casa da nova prefeita, para mandar o presente. Mais tarde, numa conversa, contei que não recebemos boneca alguma. Ele, então, foi investigar. Aconteceu que o motoboy errou de Luisa e entregou o presente na portaria do prédio da prefeita. Seguindo o protocolo, os seguranças abriram a caixa e achando o conteúdo suspeito, destruíram o brinquedo atrás de uma bomba ou coisa que o valha. Fiquei chateada. A Erundina podia não gostar de brincar de boneca, mas a turma não precisava levar isso tão a sério.