O taxista veio falando ininterruptamente sobre o filho que ele, na qualidade de “técnico informal”, está treinando para ser goleiro.
“Filho, você tem problema de auto-estima, não pega menina, vai mal na escola, tem que jogar bola.”
” Mas pai, eu jogo mal.”
” Então vai pro gol que é uma posição que ninguém quer e onde você terá pouca concorrência.”
” E faz o mesmo com as meninas por enquanto. Pega as menos bonitas.”
Disso, passou para outra sem claquete: “Estou aprendendo inglês prá carregar gringo na Copa.”
Eu com a cabeça baixa fazendo que mexia no celular: ” Boa idéia.”
” Do you speaky Englishy?”, ele pergunta.
Ái, meu Deus, vai começar: ” Yes, sir, I do.”
” I amy learning Englishy very fasty,” ele segue.
” Congratulations! Good for you,” respondo num ingles lento e bem pronunciado para ele entender.
A conversa segue no nível 1 do curso até a porta de casa onde ele encerra dizendo, agora em português, que, na verdade, está prestando um serviço ao falar inglês com os passageiros porque ” mesmo a senhora que sabe, a gente percebe que tá meio enferrujada” e se despede com um  “goody nighty.”